segunda-feira, 23 de julho de 2012

Opinião: A crise econômica e o seu bolso

Os noticiários indicam que a economia na Europa está em situação difícil. A Zona do Euro passa por variações e principalmente a Grécia apresenta-se em situação de "quebra". Há problemas na Itália, Espanha, Portugal, França e entre os demais países "primos" europeus.

Tempos atrás, um governante brasileiro afirmou que as ? tsunamis? (crises) internacionais chegariam ao Brasil como meras "marolinhas". Não é bem assim. Desde 2009 o Brasil não avança economicamente como os governantes esperam. Ontem, 16 de julho, já foi anunciado que a expectativa de crescimento do PIB nacional para esse ano não será superior a 2%.

Aparentemente, os brasileiros de modo geral, não tem sentido a crise chegar na sua casa e espero que não chegue mesmo! Isso é fora do Brasil, dizem alguns. Mas não é verdade que estejamos invulneráveis aos seus efeitos.

Num mundo globalizado, estamos ligados economicamente, tal qual uma teia de aranha, uma rede, onde qualquer distúrbio externo tem a tendência de afetar-nos também. Desde 2008 o governo estruturou sua estratégia da seguinte forma: fazer com que a nação consuma mais para "acelerar o crescimento", alavancar o setor produtivo do País. Como fazer isso? Aumentando salários? Não. Isso aumentaria os custos fixos de produção e o setor produtivo (indústrias e comércio) sentiriam o impacto, resultando em aumento de preços dos produtos e possíveis desempregos. Essa ação poderia também promover a inflação. O que fizeram então? Facilitaram a tomada de crédito pelos brasileiros!

Em sua maioria, nosso povo tem a falsa sensação de possuir mais dinheiro. Quem não tinha automóvel agora tem! Também tem TV LCD, celular de última geração, viaja mais, planeja férias mais custosas, etc. Tudo isso parcelado!

Acho extraordinário como a Bíblia traz conselhos importantes para que as pessoas usem de forma inteligente e produtiva os recursos financeiros. Em Isaías 55:2 há uma dessas importantes lições: "Por que gastar dinheiro naquilo que não é pão, e o seu trabalho árduo naquilo que não satisfaz?". Noutras palavras: "Porque gastar tempo, esforço e dinheiro em coisas de pouco ou nenhum valor, ao passo que descuidam as coisas mais importantes da vida".

O brasileiro não tem mais dinheiro. Esse argumento é uma falácia. Tem mais dívidas e mais prestações para pagar. Cientes dessa realidade, alguns até costumam fazer um trocadilho com o nome do programa do governo federal "Minha Casa Minha Vida", que financia a casa própria de milhões de pessoas, chamando-o de "Minha Casa Minha Dívida".

O senso de necessidade de comprar coisas sem precisar dessas é o papel do marketing, fazendo-nos consumir mais. O problema é que alguns já se endividaram com parcelas mensais muito maiores do que recebem de salário e agora partem para empréstimos para saldar dívidas. Estudos comprovam que 62% das famílias brasileiras estão endividadas. Ainda não estão inadimplentes, ou seja, estão pagando as contas em dia, mas já comprometeram toda a sua renda e podem deixar de pagar muito em breve.

Gosto do refletir sobre o que a escritora norte-americana Ellen G. White diz no livro O Lar Adventista, p. 368: "Se nos compenetramos de que Deus é o doador de todo o bem, que o dinheiro Lhe pertence, então exerceremos sabedoria no despendê-lo, na conformidade com Sua Santa vontade. O mundo, seus costumes, suas modas, não serão nossa norma. Não teremos o desejo de conformar-nos com suas práticas; não permitiremos que nossa própria inclinação nos controle".

Conforme já noticiado por vários meios de comunicação, o volume dos depósitos em poupança bancária aumentaram em 2012. Isso significa que uma fração da sociedade brasileira já interpretou a economia mundial e local, decidindo realizar reservas. A expectativa negativa sobre o mercado financeiro leva as pessoas a fazer economia doméstica. Guardando dinheiro e gastando menos.

Você provavelmente já ouviu aquele ditado de que "de grão em grão a galinha enche o papo". Pois um dos segredos de quem tem é justamente não desprezar ou aplicar mal aqueles centavinhos, as pequenas quantias. No livro Administração Eficaz (p. 257), Ellen G. White sintetiza essa lição de economia doméstica de forma extraordinária: "Cuidai dos centavos e os dólares cuidarão de si mesmos. É uma moedinha aqui, uma moedinha ali, gasta para isso, aquilo, e aquele outro, que logo somam dólares".

Acumular recursos é uma das regras para passar por crises sem sofrer muito. Regras evitam riscos.

Siga esses passos:

1) Havendo dívidas, pague-as o mais breve possível;

2) Pare de consumir bens desnecessários;

3) Poupe;

4) Compre à vista e exija descontos;

5) Converse com a família sobre esse tema (70% das compras domésticas são realizadas pelas mulheres). Decidam juntos.

Quem deve e paga atrasado assume muitos juros. Fuja disso.

Para pensar:
 a) A Economia vive de ciclos e vive de crises. De quem? Para quem? Alguém está ganhando dinheiro com as crises. Aproveite a crise para criar ou inovar com essa oportunidade.

b) Pobreza no mundo é falta de gestão política e não é falta de dinheiro. Pobreza em nossa casa pode ser falta de gestão financeira e não falta de dinheiro.

Elton Bueno 
Diretor-financeiro da Igreja Adventista na região ocidental do Rio Grande do Sul

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