domingo, 13 de maio de 2012

Uma história de amor

Mãe, palavra sublime, forte, encarnação do amor. Melhor ilustração do amor de Deus. Ivete Fávero, mãe e companheira, amiga e orientadora, médica e professora.

Estas são algumas palavras para descrever a minha mãe. Tivemos muitas experiências juntos. Trabalhamos no campo, viajamos, colportamos, oramos, pregamos o evangelho, sorrimos e choramos.

Mas, certamente, uma experiência que marcou minha vida foi a que aconteceu em 1982, no interior da cidade de Erechim, Rio Grande do Sul.

Era inverno e eu tinha cinco anos de idade. Estava brincando em casa. Neste dia quem cuidava de mim era um funcionário. Ele não tinha ido trabalhar por que estava doente. Chovia muito, minha mãe estava trabalhando na roça, quando ouviu gritos deste funcionário que, desesperadamente, a chamou. Ela correu para ver o que estava acontecendo e ficou chocada ao ver o meu rosto todo ensanguentado.
“Dona Ivete”, disse ele, “enquanto o menino brincava ele caiu no chão. Tinha na mão uma garrafinha. Ao cair, bateu o rosto em cima dela e os cacos de vidro lhe cortaram.”

Assim como estavam, sujos pelo trabalho com a terra, saíram correndo para me levar ao hospital que ficava na cidade, a 14 quilômetros dali. Por causa da chuva o rio transbordou e eles não puderam passar com o carro. Então me pegaram no colo e caminharam cerca de um quilometro pelo meio do mato até encontrar acesso, para passar ao outro lado do rio e procurar um carro para me levar ao pronto socorro.

Conseguiram um carro emprestado e me levaram. Recebi cinco pontos no lábio. Mas o pior veio depois. A recomendação médica era que, por uns 15 dias, eu não poderia sorrir, chorar, nem comer ou beber. O que fazer? A única forma era se alimentar com alimentos líquidos, bem devagarinho, através de um canudinho. Doía muito, mas mamãe foi minha companheira e heroína.

Todos os dias ela tinha que fazer os serviços da casa, tratar de 08 vacas, 80 porcos, trabalhar no árduo serviço da roça e cuidar de um bebê, a minha irmã, que na época tinha cerca de um ano de idade. Apesar disso, ela sempre ficou ao meu lado. Cuidou de mim o tempo todo. Colocou um berço na cozinha e me vigiava constantemente. Me ensinou alguns gestos para eu me comunicar quando queria pedir comida ou outras coisas.

Hoje quando olho no espelho quase não consigo ver as cicatrizes. Por quê? Porque ela se esmerou em cuidar de mim e me vigiar. Não só pelos 15 dias, mas ao longo de minha vida. Quando conheceu o evangelho orou por mim e se empenhou para que eu fizesse um estudo bíblico.

Sempre me aconselhou, orou e hoje sou um pastor em grande parte, graças a dedicação, empenho, serviço e trabalho de minha mãe. Por isso agradeço a Deus por ter me dado a oportunidade de ser filho de Ivete Fávero. Feliz Dia das Mães!

Pr. Evandro Fávero

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