terça-feira, 20 de setembro de 2011

Uma aldeia de esperança

“O povo que andava em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região da sombra da morte, resplandeceu-lhes a luz” Isaias 9: 2

Há muito tempo atrás, um índio por nome Semeão, chefe de sua aldeia, movido pela necessidade de melhorias para o seu povo, tomou sua canoa e remo e dirigiu-se de sua comunidade, aldeia de Tawary, à cidade mais próxima, Oiapoque-Ap, que ficava a duas semanas de viagem, a remo. Fome, sede, naufrágio, perda de seus pertences, lhe restando apenas a roupa do corpo, foi o saldo dessa tão inusitada aventura.

O que movia este homem para tamanho desprendimento a ponto de arriscar a própria vida, perder seus bens, deixar tamanha apreensão nos seus familiares? Ele ouvira falar através dos seus ancestrais de um povo distinto que vivia na cidade e que era o povo de Whokri (Deus), cuja característica especial era a guarda do sábado.

Pela dificuldade da língua teve seu empreendimento frustrado, pois apenas algumas poucas pessoas da cidade faziam parte daqueles a quem procurava e estes não se congregavam. Mais quinze dias de retorno, decepção e frustração, no entanto, Aquele que o guiou em toda a investida não o abandonou, mas alimentou em seu coração essa esperança até o tempo oportuno.

O tempo passou, agora já um senhor de idade, continuava no seu coração esta esperança de um dia poder encontrar o povo de Deus que tinha um sinal diferenciado, guardava o sábado.

No ano de 1997, a Associação Baixo Amazonas, em Belém-Pa, enviou para essa região o Pastor Raimundo Cutrim, que estabeleceu a igreja nessa cidade e em muitas outras no estado do Amapá, quando em certa ocasião visitando o órgão administrador das aldeias indígenas, Funai, encontrou-se com um filho desse homem e este expressou ao pastor o anseio do seu velho pai. "Pastor, disse ele, existe esse povo, que guarda o sábado?” “Sim” disse o pastor, com muita alegria, e disse mais, “eu sou pastor desse povo.” O nome daquele homem era Henrique que disse: “Meu pai deseja lhe conhecer antes que ele morra.”

Uma visita a aldeia então fora marcada, os procedimentos para entrada às terras indígenas foram realizados, a vinda ansiosa do cacique para encontrar-se com o pastor logo foi agendada e então o tão sonhado encontro aconteceu numa manhã de domingo, bem cedinho, quando aquele ancião vestindo um simples calção verde trazia no seu coração uma esperança que o alimentava há mais de meio século de vida.

Acompanhado por um irmão na fé, o pastor juntou-se a comitiva que regressara no dia seguinte, rumo à aldeia “da esperança.”

A notícia correu nos arredores da comunidade que havia chegado um “anjo do céu” em Tawary o que movimentou os moradores daquela região, e canoas superlotadas de pessoas vindas de todas as direções se dirigiram para ver de perto a tão alviçareira novidade.

Logo a noite chegou e uma multidão indígena, com seus respectivos caciques que aguardavam ansiosos o inicio da reunião. Um silêncio absoluto, uma reverência e expectativa introduziam as palavras de abertura daquele encontro. Os caciques falaram primeiro na língua dos Palikus e diziam em português que Whokri (Deus) havia mandado o seu anjo para ensiná-los o caminho. Foi então aberta a porta da esperança a tanto tempo almejada por um velho homem da aldeia.

Mais tarde um grupo de pastores e irmãos foi enviado para uma campanha evangelística em várias aldeias daquela região. Tawary, a aldeia da esperança, inteira, aceitou o salvador Jesus Cristo e agora compreendeu cabalmente o significado do dia da esperança e passou a viver um novo tempo, tempo de esperança.

Pr. Raimundo N. P. Cutrim
Associação Sul do Pará - UNB

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